30 abril 2014

Triste notícia


(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 30/04/14)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

A analogia entre o que ocorre com a nossa sociedade e a história do filme Matrix é forte. Não sou o primeiro a identificar esta semelhança, contudo, ela não é aproveitada para efeito de comunicação. Para aqueles que não viram o filme, o próximo parágrafo o descreve de forma sumária e intencionalmente incompleta. Entretanto, será possível a todos acompanhar as argumentações mostradas a seguir. No final, esta analogia possibilitará a defesa da tese principal deste artigo.

Em determinado momento futuro, a nossa espécie acrescenta às máquinas a capacidade de realização de adicionais raciocínios lógicos, que garantiram a equiparação da inteligência artificial à nossa inteligência. Além disso, os humanos haviam detonado bombas nucleares, que ocasionaram, além de destruição generalizada, o aparecimento de uma nuvem escura que cobria toda a Terra, não deixando passar a luz do sol. As máquinas se apossam do planeta e utilizam humanos aprisionados como baterias para fornecer energia a elas. Estes humanos são colocados em casulos, desde o nascimento, e ficam conectados por tubos, que os alimentam, e um cabo plugado diretamente ao cérebro, que os colocam em um mundo virtual, obra do programa Matrix. Assim, presos nos casulos, com as mentes achando que estão em um mundo normal, os humanos plugados, sem autorização consciente, alimentam de energia as máquinas. Os poucos humanos livres, não plugados, se escondem em subterrâneos da Terra. Morpheus, um dos líderes dos seres livres, acredita ser possível vencer as máquinas e, assim, libertar os plugados. Não descrevo outros personagens e situações porque esta descrição sucinta já é suficiente para meu propósito.

Lamento ser o portador de uma péssima notícia, mas a grande maioria de nós vive em um mundo virtual, um Matrix. Conseguem nos manipular, à medida que as informações que chegam à nossa percepção não são imparciais. Para diversas questões, querem que optemos por uma conclusão pela qual, na maioria das vezes, não iríamos optar, se tivéssemos todas as informações. Isto ocorre mundialmente, mas irei tratar com maior detalhe do caso brasileiro.

Aqui, todos os canais abertos de TV e muitos dos fechados, todos os principais programas de rádios, todos os grandes jornais e revistas, todas as agências de notícias internacionais, que nos fornecem as informações do exterior, mostram as notícias filtradas pelos interesses do grande capital.

Contudo, o programa Matrix do capital, ao qual você provavelmente está plugado, não para aí. Tem a participação desonrosa de órgãos e componentes do Executivo, Legislativo e Judiciário, lideranças econômicas, políticas e intelectuais, que, conscientemente ou não, satisfazem aos interesses deste programa, que são os mesmos do capital. Passo a tentar provar esta afirmação através de análises, visando mostrar que outras interpretações de diversos eventos foram omitidas. Ou seja, sua compreensão sobre eles poderia ter sido outra.

Os donos do capital estão sempre buscando situações de garantia nos negócios e de maximização dos lucros e, para alguns, sem se importar se a sociedade está sendo lesada. O glorificado sistema da competição empresarial, que traria benefícios para a sociedade, não funciona tão bem. Acordos secretos de não competição ocorrem entre as empresas. Também, para conseguir privilégios junto ao setor público, empresas corrompem agentes do Estado, tanto que algumas delas são, às vezes, flagradas. Assim, o sistema capitalista já traz, no seu bojo, o germe da corrupção, fato que é sempre escondido da população.

Existe um documentário sobre o aproveitamento do gás de xisto nos Estados Unidos, produzido por Josh Fox e intitulado “Terra do gás Parte 2”, que é extremamente didático, mostrando o poder das grandes corporações, a capacidade delas de cooptarem mandatários do Executivo, legisladores, burocratas de baixo escalão, enfim, todos que queiram interferir no seu negócio. Mostra também como uma parcela da sociedade, os vizinhos dos poços de extração do gás de xisto, é extremamente penalizada por esta atividade, com a Justiça deste país sendo calada por bons advogados contratados pelas empresas. E a grande mídia norte-americana se coloca a serviço dos grupos econômicos que exploram o xisto. Toda a sociedade deveria assistir a este documentário, que não faz parte do Matriz do capital.

Por que a mídia não divulgou que os avanços conquistados com a aprovação do novo marco regulatório para a exploração do Pré-Sal (lei 12.351/2010) foram anulados por decisão do governo e disposições do edital do campo de Libra? Como exemplo, Libra poderia ter sido entregue, sem leilão, na sua totalidade, à Petrobras (artigo 12 da referida lei), a qual assinaria um contrato de partilha com a União. Outro exemplo é o fato de ter sido definido no edital um percentual mínimo de remessa para o Fundo Social, através de uma tabela, a qual é lesiva ao Fundo. Estas ações do governo não têm sentido social e, por isso, o Matrix do capital não divulgou seus significados.

Outro exemplo de manipulação da população, que ocorre hoje no nosso país, é a de quererem nos impor, por interesse eleitoral, que o atual governo é o mais corrupto dos últimos tempos. Primeiramente, esta afirmação é de uma irracionalidade estupenda. As corrupções não descobertas dos diversos governos não contam? Ou se tem a crença naive de que todas as corrupções são necessariamente descobertas? Se todos os governos têm corrupções não flagradas, como se pode saber o total das corrupções de um governo? Não seria o atual governo aquele que teve mais corrupções descobertas e repercutidas na mídia do capital? Por que aconteceu este fato com o atual governo? A Polícia Federal estaria trabalhando eleitoralmente contra a candidata Dilma, uma vez que nada é pesquisado, por exemplo, com relação à compra dos trens para São Paulo, no caso da Alstom? Seria também porque a mídia está em campanha contra a reeleição da presidente Dilma?

Por que a mídia não faz uma matéria sobre a metodologia de cálculo do preço mínimo da empresa Vale do Rio Doce, que permitiu que ela fosse privatizada por um preço ofensivo à moralidade? A mídia de hoje age de maneira bem parecida com a que, no passado, arquitetou a queda de Getúlio Vargas, cujo governo seria um mar de lama. Toda vez que um governo toma medidas de cunho social, as forças conservadoras do país começam a disseminar versões não verdadeiras de fatos sobre os políticos que poderão continuar com o desenvolvimento social.

Para a comunidade internacional, o resultado de eleições democráticas deveria ser sempre respeitado, mas, para os Estados Unidos, a União Européia e a OTAN, em se tratando do antigo dirigente da Ucrânia, este princípio não vale. Por quê? A mídia internacional, obviamente representando interesses do capital, lutou para este caso ser uma exceção. Então, pela pregação desta mídia, golpistas podem ser do “bem” e eleitos democraticamente podem ser do “mal”.

A ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC e outros organismos internacionais sofrem forte influência dos países desenvolvidos e, assim, não visam os interesses da sociedade humana como um todo. Não há como um país subdesenvolvido sair da sua triste condição com as imposições dos acordos de comércio, de livre fluxo de capitais, de desregulamentação da economia, de retirada das barreiras tarifárias, de propriedade intelectual e outros do chamado “mundo globalizado”. Os governantes destes países não assinariam acordos prejudiciais para suas sociedades se não existisse a mídia corrompida desinformando as populações.

É claro que a minha recomendação é para você buscar sair do Matrix do capital, que lhe foi imposto há anos. É preciso arrancar o plugue que lhe aliena. Assim, não dê mais importância às notícias dos principais canais de mídia. Peça ajuda ao Morpheus, que, no caso em questão, são os sites e os blogs sem interferência do capital. Algumas raras revistas, jornais alternativos e web tvs poderiam ser acrescentados. Toda vez que, em um site ou um blog, existir um pedido de ajuda para manutenção do mesmo, de uma forma geral, este é um bom sinal, pois ele não é mantido pelo capital. Pensando melhor, prefiro lhe recomendar que, para cada assunto, busque conhecer as duas versões: a da mídia tradicional e a da mídia livre do capital e, só depois, decida, com sua própria consciência, a versão que acha mais plausível.

Depois desta triste notícia, felizmente posso registrar uma boa notícia, que, aliás, todos já conhecem. Recentemente, o Marco Civil da Internet foi sancionado pela presidente Dilma. Ela frisou que ele é “um instrumento efetivo para garantir a liberdade de expressão, o respeito à privacidade das pessoas e das empresas e aos direitos humanos na internet”. Como se não bastassem esses méritos, ele corresponde a um exemplo de que, quando as forças sociais estão unidas em torno de uma causa, elas conseguem grandes conquistas para a sociedade, apesar da luta em contrário de poderosas corporações.

21 abril 2014

Indústria da difamação



Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Em um salão amplo, em torno de uma grande mesa de reunião, será tomada a decisão da pauta do próximo número de um dos maiores periódicos do país. O editor chefe, os chefes de editorias setoriais e, o que é incomum para este tipo de reunião, o próprio dono da editora estão presentes. Em geral, ele recebe a pauta gerada nestas reuniões e ainda interfere nas decisões. Mas, desta vez, ele está interessado em mostrar ao seu filho, um dos mais recentes diplomados em jornalismo, como funciona o negócio da família. Por isso, trouxe o rebento para a reunião. O editor chefe está com a tarefa, determinada pelo dono, de presidir a reunião e com a recomendação de esquecer a sua presença. Assim, falando mais alto, o editor abafa o bate papo do grupo e inicia a reunião.

Editor chefe – Quero sugestões para a matéria principal e para as demais matérias. Vamos começar com a matéria principal, com direito à chamada da capa.

Jornalista 1 – Pasadena, depoimentos, Petrobras, Paulo Roberto Costa ...

Editor chefe – Para matéria principal, não. Precisamos de um furo, algo novo ou de uma nova declaração sobre um tema antigo.

Todo mundo fica em silêncio, até que uma jornalista, que só tem dois meses na editora, pede para falar.

Jornalista 2 – Eu tenho a informação de uma fonte que outro diretor da Petrobras também está envolvido em superfaturamentos, negócios não bem explicados etc.

Editor chefe – É algum dos que nós já fizemos matérias?

Jornalista 2 – Não. É outro.

Editor chefe – É coisa séria?

Jornalista 2 – Minha fonte foi apresentada por um amigo, que diz que ela é séria. Mas, até agora, não tive nenhuma confirmação.

Editor chefe – Então, vá à luta e descubra o máximo que puder. Antes da edição do novo número, vamos ter mais uma reunião e, sempre que precisar, fale comigo.

Jornalista 2 – Só tenho medo de não conseguir comprovar as denúncias. Aliás, têm muitas pessoas que dizem exatamente o contrário. Dizem que quem conhece o tal diretor não vai acreditar que as acusações sejam verdadeiras.

A jornalista 2 não sabe ainda como as coisas funcionam nesta editora. Por isso, o editor chefe olha para o dono, esboça um ligeiro sorriso e responde para a jornalista.

Editor chefe – Busque a história e as comprovações. Mas, mesmo que você não consiga comprovar, fale comigo, porque há chance de se utilizar o material.

Jornalista 2 – Como assim?

Editor chefe – Se só faltar um link óbvio, você não precisa de comprovação. A própria obviedade é a validação da informação. Além disso, muitas vezes, o leitor quer ouvir mais versões do que realidades. E temos, também, que satisfazer o leitor!

Jornalista 2 – Mas, tem a chance de grupos com interesses na empresa estarem querendo “queimar” este diretor e, por isso, estariam “plantando” estas notícias falsas na nossa publicação.

Editor chefe – Colha todo o material e, depois, venha na minha sala com ele.

Neste ponto, o filho do dono se dirige ao pai, falando baixinho.

Filho – Agir como ele propõe não pode resultar em um processo futuro de difamação, que poderá trazer prejuízos?

Em ato incontinente, o dono se levanta e diz para o grupo continuar com a reunião, mas ele terá que se ausentar, devido a tarefas inadiáveis. A seguir, sai da sala, acompanhado do filho. Chegando a sua sala, dirige a palavra para o filho.

Dono – Você sabe qual o negócio mais rentável nesta empresa?

Filho – Edição das nossas publicações, incluindo o carro-chefe, em cuja reunião de pauta, nós estávamos?

Dono – Não!

Filho – A publicação de livros?

Dono – Também não. Você não vai descobrir. É o lançamento de acusações, verdadeiras ou não. Através delas, há a possibilidade de se ganhar dinheiro de várias formas. Em primeiro lugar, porque a venda da publicação com denúncias é sempre alta. Depois, os grupos econômicos por trás do corrupto, beneficiários das suas falcatruas, ou seja, os corruptores, ficam propensos a abrir os cofres para que paremos a linha de investigação. Muitas vezes, estes grupos ficam sabendo, antecipadamente, as nossas investigações e ...

Filho – Como podem?

Dono – Eles têm espiões na nossa redação. E, aí, eles oferecem valores consideráveis para as investigações serem paralisadas.

Filho – E nós aceitamos?

Dono – Se o valor oferecido garantir uma boa lucratividade e dependendo, também, da inconsistência das acusações que temos, sim!

O filho fica pensativo. O pai continua com a sua explicação.

Dono – Têm as encomendas de calúnia para “queimar” adversários políticos. Por fim, os governos, às vezes, ficam sabendo antecipadamente também, e oferecem, por exemplo, a compra de publicidade para não publicarmos determinadas denúncias.

Filho – Isto não seria proibido?

Dono – É. Mas, é muito difícil de ser detectado.

Filho – E o caso que lhe perguntei na reunião? São publicadas acusações não comprovadas e o cidadão, que se julga difamado, vai à Justiça. Se esta der ganho de causa ao reclamante, não vai nos dar prejuízo?

Dono – Têm dois fatores a se levar em consideração. O primeiro é que ganhar uma causa na Justiça não depende, necessariamente, de se estar fazendo justiça. Se você está sendo representado por bons advogados, suas chances de ganhar aumentam muito. Por isso, nós trabalhamos com um dos melhores escritórios existentes. O outro ponto a considerar é que, mesmo que percamos a causa, o total das penalidades ainda pode ser menor que o lucro gerado pela edição caluniosa. E o pagamento das penalidades só acontece anos depois da receita do fato calunioso ter entrado no nosso caixa.

O filho continua pensativo e o pai complementa da seguinte forma.

Dono – Eu prefiro trabalhar com fatos verdadeiros, até porque com eles você não é desmascarado e não tem a chance de perder a credibilidade. Mas, o nosso negócio é o escândalo. E, às vezes, os escândalos reais ficam escassos.

Filho – E os difamados injustamente? Como ficam?

Dono – São acidentes de percurso. Não há nada pessoal contra eles.

18 abril 2014

Petrobras: amputem a necrose e salvem a parte sadia


(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 17/04/14)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

Segundo um jornal paulista, o senador José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte, presidente nacional do DEM, disse que “se existir a CPI gorda (que investigaria os contratos da Petrobras, dos trens de São Paulo e do Porto de Suape), ela não levará a nada além da perda de credibilidade do Congresso. Quem estiver nela participará de uma farsa”. Em ato falho, o senador descreveu o que acontece neste momento.
Primeiramente, todas as coligações de partidos com maior acesso à mídia, as do PT, do PSDB e do PSB, cujos candidatos, não por outra razão, são os mais cotados para se elegerem presidentes, têm “telhado de vidro”. Desta forma, cada conjunto de congressistas não quer fazer a CPI para moralizar o país, uma vez que ela criaria temor nos futuros corruptos. Cada conjunto quer fazê-la restrita a um órgão específico para as falcatruas alheias serem descobertas e, assim, poder ver seu adversário político “sangrar”.
Notar que, possivelmente, em cada partido, existe uma banda podre, que compromete o partido como um todo com suas patifarias. E os membros não corruptos, com receio da incompreensão popular, defendem a corporação, incluindo os corruptos também. Falta saber o quão expressivas as bandas podres dos partidos são.
Isto ocorre, em parte, por causa da mídia partidária existente. Esta mídia com acesso às camadas menos politizadas da população, graças – pasmem – a concessões públicas, longe de informar os eventos buscando a isenção, com análises plurais, na verdade faz campanha política pelos seus candidatos. E há uma visível preferência pelos candidatos mais conservadores.
No meio desta balbúrdia, está colocada a Petrobras, um símbolo da vitória da sociedade brasileira sobre o assédio ininterrupto das petrolíferas estrangeiras sobre nossa riqueza, desde a primeira metade do século passado. Tudo leva a crer que bandas podres de partidos requisitaram áreas da empresa aos seus prepostos, funcionários de carreira, para, na posição de administradores dela, arrecadarem caixa 2 para campanhas eleitorais de bandidos candidatos, além da taxa de passagem dos corruptos.
Pelo visto, é inimaginável que um congressista participe de uma CPI gorda e aponte corruptos em qualquer partido, podendo até ser no seu próprio. Viva, então, o intimorato senador Roberto Requião. Li uma declaração dele, há poucos dias, na qual dizia algo como: “eu apoio toda e qualquer CPI, não importando a origem e os prováveis envolvidos”. Gostei também da afirmação da presidente Dilma, sobre as investigações no âmbito do Executivo, que, onde houver indícios, todos os possíveis culpados devem ser investigados com rigor e, sendo comprovada a culpa de alguns, estes devem ser penalizados com as penas cabíveis.
Creio que muitos sindicalistas estão cometendo o mesmo erro de avaliação dos políticos, pois eles não querem CPI alguma, com o justo argumento de que a CPI irá se transformar em instrumento de crucificação midiática do PT, da sua candidata e da Petrobras. Não sei se estou enganado, mas, hoje, quando a população vê o martelar contínuo da mídia em determinadas teses, ela conclui que estão querendo doutriná-la e, portanto, é porque não deve ser bom para ela própria. Talvez eu seja um sonhador, mas tenho a esperança de o povo estar amadurecendo politicamente.
Minha recomendação é que se criem tantas CPI quantas forem as fumaças que existem no ar, e se verifique se há fogo alimentando as mesmas. Na Petrobras, poder-se-á pesquisar, por exemplo, as refinarias Pasadena e Abreu Lima, o complexo petroquímico Comperj e algo que não se tem falado na mídia, que são os “desinvestimentos” da presidente Graça Foster. Não tenho nenhuma informação de cocheira, mas, salvo erro, a estrutura arquitetada para a consecução dos desinvestimentos é fácil de ser corrompida. Então, para preservar a boa reputação da presidente Graça Foster, sugiro esta averiguação.
Os tucanos precisam ser aquinhoados com a questão dos trens, ligada à Alstom, além de se esmiuçar melhor o “mensalão tucano”. É preciso também, para retirar toda a poeira debaixo do tapete, pesquisar alguns preços mínimos estabelecidos para as privatizações, começando com o valor mínimo da Vale do Rio Doce. Com relação ao pessebista Eduardo Campos, fala-se em perguntar sobre o porto de Suape. Confesso não ter nem ouvido falar do que se passou por lá. Mas, investigue-se também.
O povo só não pode cair no engodo dos conservadores entreguistas, que recomendam que o remédio é privatizar a Petrobras. É verdade que, se ocorrer a privatização, na nova empresa, não haverá diretor escolhido por partido político e não haverá corrupto querendo desviar recursos da empresa. Não é importante, mas, deve-se registrar que os preços dos seus produtos finais certamente não serão barateados.
Entretanto, ela poderá passar a ser corruptora de órgãos e empresas estatais. Um ente estatal nunca é corruptor de outro ente estatal, posição reservada ao setor privado. É preciso acabar com a falsa idéia que o setor privado é mais honesto, até porque a corrupção faz parte da condição humana. Portanto, onde há seres humanos, pode haver corrupção. O que aconteceu na boate Kiss, em Santa Maria, não ocorreu por corrupção privada?
Escrevo artigos em defesa da existência de estatais em setores estratégicos da nossa economia e o setor de petróleo certamente é um desses, não só pelo petróleo ainda ser a principal fonte de energia do mundo e, em consequência, ter grande valor geopolítico, como também pela alta lucratividade intrínseca do “negócio petróleo”.
Além disso, a Petrobras compra mais no país, inclusive plataformas e navios, encomenda mais Pesquisa & Desenvolvimento aqui, emprega mais brasileiros, direta e indiretamente, constrói refinarias, complexo petroquímico, dutos, terminais, estações de bombeamento e a logística de distribuição e abastecimento.
Notar que o monopólio estatal do petróleo foi extinto há 19 anos e, no entanto, até hoje, as petrolíferas estrangeiras só querem produzir petróleo no Brasil e levá-lo para o exterior. Assim, temos que apurar os fatos, preservando o interesse nacional, que é ter uma Petrobras saudável e atuando em benefício de nossa sociedade.