15 abril 2014

Ken Saro-Wiwa


(Veiculado pelo Monitor Digital a partir de 14/04/14)

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Ken Saro-Wiwa é o Chico Mendes nigeriano. Eles eram quase da mesma idade. Saro-Wiwa nasceu em 1941, e Mendes, em 1944. Ambos lideravam seus povos em lutas contra a degradação da natureza causada por interesses do capital, na ânsia de maximizar seus lucros, pouco se importando com o meio ambiente. Ambos morreram por esta luta, Saro-Wiwa em 1995, e Mendes em 1988.
Grupos politicamente fortes foram seus algozes, pois queriam deixar os nativos sem lideranças, que os guiassem a não aceitar o passivo ambiental deixado por eles. Morreram também graças à impunidade existente no Brasil e na Nigéria, onde ativistas de causas nobres são assassinados com baixa chance dos culpados virem a ser identificados, julgados e punidos.
As diferenças entre eles eram que Saro-Wiwa era negro, poeta, escritor, pertencia ao povo Ogoni e vivia no delta do rio Niger, enquanto Mendes era branco, homem da floresta amazônica, seringueiro, sindicalista e morava em Xapuri no Acre.
Da Wikipédia, pode-se obter: “Kenule (Ken) Beeson Saro-Wiwa foi um escritor, produtor e ativista ambiental da Nigéria. Saro-Wiwa pertencia ao povo Ogoni, um grupo étnico minoritário nigeriano radicado no Delta do Níger, e liderava – através do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni – uma campanha não violenta contra a degradação ambiental das terras e das águas da região pelas petrolíferas transnacionais, especialmente a Shell. Por conta de seu ativismo, ele acabou preso em 1994 a mando do regime militar que vigorava então. Em um processo judicial considerado fraudulento, Saro-Wiwa foi condenado à morte e enforcado em 1995. Em 2009 a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte do ativista e dos seus oito companheiros, também com ele enforcados, pagou US$ 15,5 milhões às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos para sua imagem deste caso.”
Também da Wikipédia, com a entrada “Wiwa v. Royal Dutch Shell Co.”, pode-se obter, após tradução livre do inglês: “Os processos da família Wiwa contra a Royal Dutch Shell são três separados, (...). Eles (os réus) são acusados de cumplicidade em abusos de direitos humanos contra o povo Ogoni no Delta do Níger, incluindo execução sumária, crimes contra a humanidade, tortura, tratamento desumano, prisão arbitrária, homicídio culposo, assalto e agressão. Os processos foram movidos pelo Centro de Direitos Constitucionais (CCR) e pelo Direitos da Terra Internacional em 1996. E depois de 12 anos da petição da Shell ao tribunal para não ouvir os casos, eles foram ouvidos em 26 de maio 2009.”
A Shell deste caso é a mesma que ficou com 20% do campo de Libra e já vem fazendo lucro no Brasil há anos. Contudo, façamos justiça, ela não é pior que as demais petrolíferas estrangeiras que também atuam no Brasil. Infelizmente, o caso da Chevron de derramamento de petróleo e perda de poço, por exemplo, não sensibilizou os congressistas para a criação de uma CPI. Afinal de contas, o que as blinda?

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