03 maio 2016

Nonsenses de Temer

Paulo Metri

1.      O vice Temer ficou quatro anos, de 2011 a 2014, como vice da Dilma. Se ela é tudo que ele diz ela ser, este tempo não foi mais que suficiente para conhecê-la bem? Por que aceitou ser vice dela por mais quatro anos, de 2015 a 2018?

2.      A chapa em que Temer era o vice foi eleita por um conjunto de forças em 2014, encabeçado pelo PT e com o programa deste partido, que derrotou o PSDB. Como pode, agora, querer chegar ao poder e governar com um programa típico do PSDB?

3.      Como pode não respeitar os votos de 54,5 milhões (51,6% dos votos válidos) de eleitores que rejeitaram as privatizações, o Banco Central independente, os cortes no Bolsa Família e, por aí, vai?

4.      Temer nunca ganhou uma eleição majoritária, excetuando as duas em que era só o candidato a vice. Como pode querer ser o presidente sem ter voto? Aliás, ele gosta de ser vice, pois foi vice de Erundina, quando esta concorreu à Prefeitura de São Paulo. Seria uma tática para chegar aos Executivos sem ter votos?

5.       A população o rejeita. Só 8% desta o querem como presidente. Os demais 92% não o querem. Por que “forçar a barra” para ser presidente?

6.      Uma maioria expressiva da população (62%) quer eleições diretas para presidente já. Temer já se posicionou contrário à eleição direta neste ano, não abrindo mão de “respeitar a Constituição” e assumir a presidência, na eventualidade do golpe se concretizar. O Congresso faz julgamento político de Dilma e, apesar de não ter respaldo na Constituição, estão retirando-a do cargo. O povo faz julgamento político de Temer e o rechaça. Pelo Artigo 1º da Constituição, “todo poder emana do povo, ...” Assim, por que Temer não atende à vontade popular? Só em benefício próprio, ele segue a Constituição?

7.      Por que dizer que houve vazamento de sua carta de indignação com a presidente, se foi ele próprio quem a vazou?

8.      Temer sabe que, a menos de uma difícil recuperação da economia mundial, ele terá grande dificuldade para criar um ciclo positivo na economia brasileira. Sabe que irá ter dificuldade para conviver com os sindicatos e os movimentos sociais. Por outro lado, terá congressistas, a mídia corrupta e o empresariado a seu favor, mas todos estes irão “apresentar faturas”. Tem a aprovação dos EUA, inclusive com a ajuda da CIA e NSA, que irão querer mudanças na política externa brasileira. Enfim, provavelmente, não será um período fácil para ele. Temer quer ser presidente assim mesmo? Ou quer ser presidente, exatamente, para pagar estas faturas.

02/05/2016

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