08 março 2018

Única saída inteligente

Paulo Metri

Vamos e convenhamos, o Brasil vive uma crise política, que eu não diria ser “sem precedentes”, mas “gigantesca”. Não se trata de ênfase retórica. É a pura realidade e, a estas alturas, palpável. Nesta crise, se os ânimos não se acalmarem e a racionalidade não prevalecer, não existirão vencedores. O caos poderá ser introduzido e todos terão seu quinhão de perda.
Tentando contribuir, analiso alternativas de futuro para defender a tese contida no título. Primeiramente, trabalho com a hipótese de Lula ser considerado inelegível. Boa parte dos eleitores perderia seu candidato preferido, que não estará à disposição para ser votado. Estes se dispersariam provavelmente entre Ciro, Manuela, Boulos e algum novo candidato do PT. Existirão muitos candidatos nesta eleição, mas irei me limitar aos já citados e mais Bolsonaro, Alkmin, Maia, Meirelles e Marina. Tirei da disputa, por notícias atuais da mídia, Dória, Huck e o próprio Temer. Serra já havia sido defenestrado anteriormente.
Em hipóteses raras, segundo pesquisas de opinião atuais, se der Alkmin, Maia ou Meirelles teremos quatro anos de muitos embates e enfrentamentos. A sociedade não fica mais totalmente anestesiada, como ficou durante o governo FHC. A Marina também está com baixo índice de intenção de voto e, além disso, os quatro anos com ela também serão conturbados, por transmitir insegurança em questões de Economia. Os movimentos sociais não deixarão que nenhum deles atenda totalmente às reivindicações do capital nacional e internacional. Qualquer destas alternativas vai encontrar uma sociedade mais politizada, calejada, e consequentemente, será difícil para estes governantes de direita conseguir passar todas as suas propostas.
Como a mídia irá jogar pesado a favor dos seus candidatos, ainda deixarei a possibilidade de Alkmin ou Maia ou Meirelles ou Marina ir para o segundo turno. Tudo leva a crer que o Bolsonaro irá para o segundo turno. Ele é um candidato de direita, apesar de algumas pessoas dizerem que não é bem assim. Além disso, terá que ser tutelado em questões de Economia e, como tem se oferecido muito para o capital, será possivelmente mal tutelado. Obviamente, o pior dele é considerar o torturador coronel Ustra como um herói, acreditar que o Exercito deve patrulhar comunidades carentes, ser misógino e considerar o estupro um ato de consideração para com a vítima, ou seja, é ele ser um horror. Mas, um ponto deve ser reconhecido: Bolsonaro é o candidato que melhor utiliza a mídia. Também, em época de crise na segurança pública, o fato de ser um militar reformado transmite a ideia que saberá enfrentar a bandidagem.
Quanto aos candidatos de esquerda, Manuela e Boulos são desconhecidos da grande massa e, além disso, por preconceito, alguns eleitores não votam em candidatos de partidos comunistas ou de movimentos de trabalhadores. Além disso, dentro da esquerda, encontra-se também o fogo amigo: Luciana Genro, candidata à Presidência pelo PSOL em 2014, disse que “uma candidatura do PSOL precisa ter uma postura clara de enfrentamento ao modelo lulista, que é de conciliação de classes, (...)”. O Ciro não une as esquerdas por acender velas para Deus e o diabo. Os eventuais candidatos do PT podem ser Celso Amorim, Haddad e Wagner, que, a menos do Amorim, pouco ampliam a lista de votantes para além dos adeptos da esquerda. O Amorim é uma incógnita.
O único candidato que traria paz à sociedade brasileira, até porque já trouxe, o que é fato comprovado, em passado próximo, é Lula. Ele satisfez, dentro de limites, o capital e o trabalho. Aquilo que a Genro considerou como negativo é na realidade o grande ponto positivo de Lula. Então, a nossa escolha para o futuro é a paz, que permitirá o crescimento econômico, social e político, ou o embate permanente, que trará angustias perenes. Conhecidas estas razões, cabe aos políticos imporem a lógica salvadora àqueles que pregam o ódio que a justicialização com argumentos não comprovados traz.

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