01 julho 2018

Samba do branco doido

Nota preliminar: Nestes dias da Copa da Rússia, o governo Temer já publicou uma dezena de portarias sobre o horário dos servidores públicos. Elas, além de divergirem entre si, são também irracionais e incompreensíveis. Os próprios dirigentes de órgãos públicos, muitas vezes, não sabem o que exigir do funcionalismo. Sobre este assunto, recebi um whatsapp contendo o interessante texto a seguir. Quem me mandou garantiu que não sabia quem era o autor.

Bananal é um país, mas também um grande canteiro de bananas. Seus atuais governantes são uma mescla de representantes de interesses estrangeiros, coronéis do nordeste, coroinhas diabólicos do sudeste e sul, assaltantes do dinheiro público de todas as latitudes e poucos verdadeiros representantes do povo. Uma reunião ministerial acontece para tratar do ponto das repartições públicas nos dias de jogos da seleção.
O carrasco mor inicia a reunião:
- Como vai ficar o ponto destes insubordinados, carnes de pescoço, nos dias de jogos?
O carrasco da área de planejamento propõe:
- A proposta é fechar as repartições na hora dos jogos e, depois, os trastes compensam as horas não trabalhadas.
O único não carrasco, um fraco segundo os demais, colocado no grupo para efeito de propaganda, retruca:
- Eles vão ter capacidade de pagar estas horas não trabalhadas?
Um dos outros carrascos presentes:
- Daqui a pouco, você vai fazer o discurso que muitos estudam de noite, outros têm bicos para aumentar a receita, as mulheres têm a jornada caseira e ninguém pode compensar. Eles que se danem. Só querem mamar nas tetas do Estado.
O fraco pensa: “Quem não larga estas tetas são os empresários.” Depois, fala:
- Não seria possível deixar a repartição aberta para aqueles que querem trabalhar? Quem quiser ver jogo, falta e, depois, compensa.
- E os que vão assistir aos jogos no monitor do computador, fingindo que estão trabalhando? Temos que ser duros. Estes camaradas são uns exploradores.
O malvado mor decide:
- A redação será a proposta pelo planejamento.

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Um dia depois da publicação da tal norma do ponto nas repartições, o carrasco do planejamento entra na sala do chefe, o mor, e diz:
- Começaram a pipocar decisões judiciais mandando abrir as repartições para quem necessita trabalhar para atendimento não interrompível do público, além de que alguns dirigentes de órgãos públicos deram uma interpretação para a norma dizendo que não precisa compensar a hora faltada para assistir aos jogos.
- Esses juízes de primeira instância, com honrosas exceções, são todos esquerdinhas. Não reconhecem que estamos colocando ordem nesta bagunça. Quanto aos dirigentes públicos que não nos apoiam, tome nota do nome deles. Vamos endurecer, faça um comunicado dizendo que a norma é esta mesma, mas poderão existir exceções dependendo da necessidade do serviço.

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Nada como um dia após o outro para curar ressaca e arbitrariedades. O mor, o pior de todos, abri uma reunião, convocada às pressas:
- Fui aconselhado a fazer mudança na norma do horário dos servidores durante a Copa, porque, apesar de eu me lixar para a opinião pública, congressistas do nosso grupo estão preocupados com a repercussão negativa dela. Assim, reformulem a mesma para o horário dos jogos ser ponto facultativo e, obviamente, sem necessidade de compensação. Não haverá discussão. É só.

*             *             *

Dias depois, o fraco entra no gabinete do mor, esbaforido:
- Chefe, aconteceu o impensável. A nova portaria foi lançada na véspera de um jogo e as portarias demoram um dia para serem publicadas no Diário Oficial. Assim, têm servidores que faltaram devido à diretriz do dia anterior, que não valia mais, mas eles não tinham tomado conhecimento da nova. Que fazer?

*             *             *

Ouvi de um amigo, de certa feita, a seguinte afirmação: “o samba do crioulo doido pode ter uma letra disparatada, mas o ritmo e a melodia são bons. Já o samba do branco doido ...” Quando vejo o governo atual de Bananal, cheio de brancos, misóginos e sem representantes do povo, lembro, por analogia, da afirmação do meu amigo.

Junho de 2018

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